marina lima - paris-dakar
(alvin l./marina lima. 2001)
É isto: experiência ativa, criativa, sensorial, como em um preparo de elenco. Me lembro de cheiros e cores, sons e sensações, sirenes e silêncios. Já não me dou mais com vodca. Mentira também que quando você morre se torna uma pessoa melhor, pura. Estou mais egoísta, cheio de pecados que considero virtudes. Me tornei artista aqui. Pois é, não deu pra fugir da sina. Faço composições oníricas sobre a tela, coisas bem simples. Mas às vezes a ideia se torna maior e ultrapassa os limites do cavalete e vira música e poesia, luz e movimento. Tenho pintado cada vez mais, acho que estou numa fase boa, não somente para a pintura, mas tenho praticado um pouco de gravura. Aquarelas, água-forte.
Há semanas que nada para no meu estômago. Só o pó e o álcool me dão energia para enfrentar os dias. Nem consigo mais dormir direito, tenho sempre pesadelos e acordo suada no meio da noite. Nunca fui muito religiosa. Na verdade, duvido que Deus exista, mas temo que esse filho seja o fruto do mal. Sonho que estou dando à luz ao filho do diabo, um ser lindo e gracioso saindo de mim, parecido com a Ariel, com um sorriso sarcástico antes de completar um ano de vida. Um bebê que fala e discute comigo, me dando ordens e rindo da minha cara. Sei que este feto está podre dentro de mim, sugando minha vida e minhas noites. E ele me consome e quer me matar, se alimentando de minha energia para então me possuir. Preciso de forças para descer até a cozinha pegar uma faca, esfaquear meu ventre e tirar isso de mim. Me exorcizar.
roberto carlos - e não vou mais deixar você tão só
(antônio marcos. 1968)
Photo0129, ou corredor de sombras
(pampulha/belo horizonte, junho/2012)
Photo0163, ou o trenzinho
(ferrovia centro atlântica, floresta/belo horizonte, setembro/2012)
Photo0170
(no quadrado, urca/rio de janeiro, setembro/2012)
Photo0191
(morro dois irmãos, praia de ipanema/rio de janeiro, setembro/2012)
Photo0165
(estação central, belo horizonte, setembro/2012)
Era uma vez uma menina que ficou triste. Ela tinha 8 anos de idade quando sua mãe falou que ela tinha que vender balas e doces na rua, nos semáforos. O sonho dela era ser princesa e ter uma casa grande, um castelo, só para ela. Almoço todo dia, muita comida, e sobremesas diversas para ela escolher: bombons, pirulitos, balas e chicletes. Um quarto só para suas bonecas, várias, umas que falassem, outras que dançassem. Uma banheira pra ela dar banho nas bonecas. Um jardim enorme para brincar e andar de bicicleta.